sábado, 15 de agosto de 2009

Medo da gripe esvazia celebrações em Romaria 15/08/2009

As manifestações de fé foram afetadas pela nova gripe às vésperas do dia de Nossa Senhora da Abadia, padroeira da cidade vizinha de Romaria, a 80 quilômetros de Uberlândia. Ontem, as barracas de apoio aos romeiros, as estradas e o município estavam vazios em relação aos últimos anos. A expectativa dos comerciantes e organizadores da festa é que o movimento melhore hoje, no principal dia da festa.

Rosária Martins e Maria das Graças Arantes trabalham há 33 anos em uma das barracas de apoio aos romeiros na BR-365 e afirmaram que o movimento é menor, mas os cuidados de assepsia foram redobrados. Na parte onde as pessoas podem se deitar, a lona foi aberta para a ventilação. Os talheres são lavados com água sanitária, os voluntários usam gel antisséptico e os frequentadores são instruídos a não permanecer por muito tempo no local. “Eu mando todo mundo que chega aqui lavar as mãos com sabão. E falo brava, porque isso deve ser feito não só por causa da gripe suína”, disse Rosária Martins, de 82 anos.

Entre os peregrinos, alguns usavam máscaras cirúrgicas nas paradas. O vendedor José Hualison Cavalcanti, de Uberlândia, ainda levava no bolso dez máscaras e aguardava o cunhado David Pereira deitar um pouco para seguir viagem. “Aqui tem muita gente, vinda de todo lado. Tem que tomar cunhado”, disse Cavalcanti.

No Santuário de Nossa Senhora Abadia de Água Suja, os lugares vagos nos bancos durante a missa surpreenderam os fiéis. O casal Geralda Vieira Caixeta e Sebastião Vieira, de Patos de Minas, acostumado a ir a festa todos os anos, disse que, além da igreja vazia, acharam a celebração rápida. “Minha filha até pediu para eu não vir por causa da gripe. Achei estranho porque pensei que ia assistir à missa em pé”, afirmou Geralda Vieira.

Padre espera 50 mil pessoas

O pároco da Igreja de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja, monsenhor Geraldo Magela de Faria, afirma que as celebrações continuam com movimento normal igual aos outros anos e no último fim de semana a igreja estava cheia. “Hoje (ontem) tem poucas pessoas porque a maior movimentação deve ser sábado (hoje) e domingo”, disse o monsenhor que espera para hoje 50 mil pessoas nas 13 celebrações no Santuário e Oratório de Padre Eustáquio.

O padre disse ainda que todos os cuidados vêm sendo tomados durante as cerimônias. A imagem de Nossa Senhora da Abadia não está com as fitas para os fiéis beijarem, os corrimãos são desinfetados e a igreja limpa constantemente. O abraço da paz e o Pai-Nosso de mãos dadas também foram eliminados. “Acho que não pode é criar pânico. Tem de cuidar do corpo, se alimentar direito, mas o bem espiritual da pessoa também ajuda na saúde”, disse o pároco.

Comércio sente redução

Os comerciantes contabilizam os prejuízos por falta de visitantes em Romaria. Alex Jovem, dono de uma danceteria e um bar, disse que os lucros diminuíram em 60% em relação ao ano passado. As bebidas e outros produtos estão parados no fundo do comércio. “Fui pego de surpresa. Acho que a mídia colocou um certo pânico nas pessoas”, afirmou o comerciante.

Sebastião Mendes dos Santos foi de Uberlândia para Romaria na terça-feira e a expectativa era vender 100 espetinhos por dia. “Não estou vendendo nem 20”, disse ele.

O ambulante Divino Mariano Rodrigues, de Goiânia-GO, ainda tem esperança que as vendas melhorem hoje, no principal dia da festa. “Só termina no domingo, até lá eu espero um movimento melhor”, afirmou Rodrigues.

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